segunda-feira, 17 de julho de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XVII

No capítulo 27 – “O trabalho, enfim” –, de “Nosso Lar”, obra sobre a qual, na companhia de nossos irmãos e irmãs internautas, estamos refletindo, André Luiz descreve a situação da maioria dos internos nas “Câmaras de Retificação”, que, sem dúvida, quase que corresponde às regiões purgatoriais da Igreja Católica. (“Retificar” significa “corrigir”, “consertar”, etc.)
Muitas missões de resgate partem de “Nosso Lar”, com espíritos voluntários percorrendo as regiões mais obscuras, ou periféricas do denominado “Umbral”. Nada a estranhar, de vez que, na Terra, por exemplo, conhece-se o abnegado trabalho da organização internacional chamada “Médicos Sem Fronteiras”, formada por profissionais que, inclusive, se expõem a inúmeros perigos para levar socorro aos carentes. Em “Nosso Lar”, digamos, o “Médicos Sem Fronteiras” é chamado de “Samaritanos”. Além de assistência médica, o grupo “Samaritanos”, semelhante a “Médicos Sem Fronteiras”, não é formado apenas por médicos, mas também por profissionais da área de nutrição, etc, providenciam alimentos e roupas aos recém-desencarnados.
Curioso que, enquanto percorria as “Câmaras de Retificação”, André descreve a crise de um interno de nome Ribeiro, que, além do desequilíbrio próprio, estava, no Mundo Espiritual, registrando a perturbação de alguns de seus familiares encarnados, agravando a sua situação. Narcisa, que ali prestava serviços esclareceu a Tobias: “Hoje, muito cedo, ele se ausentou sem consentimento nosso, a correr desabaladamente.” Impressionante, não?! Para onde, o pobre Ribeiro pretendia correr?! Como poderia ele, na condição de desencarnado, alcançar o seu antigo lar terrestre?!
André, ainda, não deixa de registrar algo interessante aos nossos estudos e reflexões: “Seguimos através de numerosas filas de camas bem cuidadas, sentindo a desagradável exalação ambiente, oriunda, oriunda, como vim a saber mais tarde, das emanações mentais dos que ali se congregavam, com as dolorosas impressões da morte física e, muita vez, sob o império de baixos pensamentos.” Realmente, o pensamento possui odor, e, não raro, extremamente desagradável... Esses “odores” do pensamento, por vezes, podem se tornar perceptíveis entre os próprios encarnados, tenham eles, para tanto, sensibilidade psíquica, ou não. Todavia, necessitamos informar que o perispírito enfermo, ou sem os cuidados higiênicos necessários, qual ocorre ao corpo físico, igualmente pode exalar odores característicos.
Tobias, em diálogo com André Luiz, que, a cada passo, se surpreendia com a situação, esclareceu que aqueles espíritos, homens fora do corpo, em situação lastimável, eram “contrabandistas na vida eterna”. E explicou: “Acreditavam que as mercadorias propriamente terrestres teriam o mesmo valor nos planos do espírito. Supunham que o prazer criminoso, o poder do dinheiro, a revolta contra a lei e a imposição dos caprichos atravessariam as fronteiras do túmulo e vigorariam aqui também, oferecendo-lhes ensejos a disparates novos. Esqueceram de cambiar as posses materiais em créditos espirituais. Não aprenderam as mais simples operações de câmbio do mundo.” De fato, quem saia do Brasil, em visita a Europa, sem permutar reais por euros... – Até o idioma necessita ser cambiado! Os valores propriamente terrestres, nos Planos Mais Altos, valem muito menos que pó!...
E Tobias, arrematou: “Temos os milionários das sensações físicas transformados em mendigos da alma.”
Digo-lhes que, por tal motivo, a grande maioria dos desencarnados não consegue se ausentar da psicosfera mais próxima ao planeta, continuando a viver não na condição de desencarnados de fato, mas na de semi-encarnados – eles nem sequer conseguiriam respirar em atmosfera mais rarefeita!
Tobias, anteriormente, falando com André Luiz sobre a situação daqueles homens e mulheres fora do corpo, internados nas “Câmaras de Retificação”, esclareceu: “Lembre, meu irmão, que estes doentes estão atendidos, que já se retiraram do Umbral, onde tantas armadilhas aguardam os imprevidentes descuidosos de si mesmos.”
Perguntamos, então:
- Que espécie de “armadilhas”?!...
- “Armadilhas” preparadas por quem?!...
- “Alguém” poderia lhes fazer algum tipo de mal no “Umbral” mais grosso?! Como?! De que jeito?!...
- Podemos considerar o “Umbral Grosso” como submundo?! – submundo da delinquência humana, que prossegue ativa além da morte do corpo?!...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 17 de julho de 2017.




 



segunda-feira, 10 de julho de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XVI
 
Para estudar e aprender, ninguém deve ter pressa – não raro, apenas uma única verdade que se apreende amplia-nos, significativamente, os horizontes da compreensão. Aqui, também, pode ser aplicada a lição de Jesus, quando ensina: “Porque a todo o que tem se lhe dará, e terá em abundância...”
No capítulo 26, intitulado “Novas Perspectivas” –, do livro “Nosso Lar” –, ao qual já nos referimos anteriormente, em seu último paragrafo, André Luiz anotou: “As Câmaras de Retificação estão localizadas nas vizinhanças do Umbral. Os necessitados que aí se reúnem não toleram as luzes, nem a atmosfera de cima, nos primeiros tempos de moradia em ‘Nosso Lar’.” 
As chamadas “Câmaras de Retificação”, conforme o autor espiritual esclarece no próximo capítulo, o de número 27, constituem um verdadeiro hospital: “Era uma série de câmaras vastas, ligadas entre si e repletas de verdadeiros despojos humanos.” Pertencentes ao Ministério da Regeneração, as “Câmaras” nada mais eram – como nada mais são! – que extensos pavilhões abrigando centenas e centenas de enfermos do espírito, recém-desencarnados.
O Ministério da Regeneração, segundo explicações de Lísias a André Luiz, é aquele que mais se liga à Crosta Terrestre, ficando logo abaixo, “hierarquicamente”, do Ministério do Auxílio. Veneranda, à época, era um dos doze ministros do Ministério da Regeneração. André Luiz, ao ser “resgatado do Umbral”, foi diretamente acolhido no Ministério do Auxílio, onde, hospitalizado, passou a ser tratado pelo Dr. Henrique de Luna. Clarêncio era Ministro do Auxílio. 
Mas, o que pretendemos em nosso presente arrazoado é procurar entender a palavra de Tobias a André, quando o convida a “descer”, a fim de visitar as “Câmaras de Retificação”: “Depois de extensos corredores, deparou-se-nos vastíssima escadaria, comunicando com os pavimentos inferiores.” – construídos, por assim dizer, no “subsolo” do Mundo Espiritual!
Cotejando capítulos, depreende-se, das narrativas de André, que a cidade de “Nosso Lar” não é uma cidade exatamente “plana”, que exista sem qualquer ligação geográfica, ou territorial, com os Planos Inferiores do Mundo Espiritual, ou, em outras palavras, sem qualquer ligação com o denominado “Umbral Grosso”. 
“Nosso Lar”, embora localizada em região superior, é uma “cidade umbralina” – assim como a Terra não possui topografia homogênea, possuindo uma imensa variação, inclusive, climática, e de fertilidade de seu solo, o Mundo Espiritual imediato, que é um Planeta, é constituído por territórios mais um menos acidentados. Sobre a Terra, embora a beleza de regiões que nos parecem inóspitas, como comparar-se, no Brasil, por exemplo, as caatingas do semiárido nordestino com os vales férteis existentes nos Estados do Sul?! Quanta diversidade entre a Antártida, o Saara e a Amazônia! Podemos dizer que se o Umbral fosse a Terra, o denominado “Umbral Grosso” seria no “Saara”, localizado no norte da África – o segundo maior “deserto” do mundo, embora de gelo, é a Antártida, com catorze milhões de quilômetros quadrados!
Bem, continuemos.
André Luiz, ao escrever “Nosso Lar”, necessitou lançar mão de certos expedientes literários, pois, caso contrário, teria fugido ao objetivo de nos transmitir – à época, não se esqueçam, eu me encontrava encarnado na Terra –, apenas e tão somente informações iniciais (e, depois de 160 anos da Codificação, continuam apenas iniciais) a respeito da Vida no Mundo Espiritual! Então, os “extensos corredores” que, na companhia de Tobias, ele percorreu, e a “vastíssima escadaria” que desceu, são, em verdade, mais que “corredores” e “escadarias” – tal distância não poderia ter sido cumprida a pé!
Em nossos próximos estudos, pretendemos prosseguir explorando a questão da topografia do Mundo, ou Planeta Espiritual. Se a Terra possui uma área de 510.100.000 km², digo-lhes que, com uma população bem maior, o Umbral, incluindo todas as suas sub-Dimensões, ocupa uma área, aproximada, de 1.500.000.000 km². Aliás, temos uma proposta: que tal mudarmos o nome de “Umbral”, com o qual, genericamente, se denomina todo o Mundo Espiritual mais próximo?! Que nome pouco simpático – “Umbral”! Não, não somos nós, os desencarnados, habitantes do “Umbral” – somos habitantes da Terra Espiritual! Vamos deixar o termo “Umbral” apenas para designar a sub-Dimensão, na qual, rente à Crosta, respiram milhões de recém-desencarnados?! O “Umbral” é por aí mesmo, nas vizinhanças da Crosta, e não por aqui! Afinal, “umbral” significa apenas “limiar” – não se traduz por espaço a ser, anteriormente ou posteriormente, ocupado. “Umbral” é fronteira – não é país, e muito menos planeta! Quem não concordar com a nossa proposta, agradecemos caso tenha a bondade de nos apresentar outra. “Umbral” está mais para “Purgatório”, do que para Mundo Espiritual!...
 
INÁCIO FERREIRA
 
Uberaba – MG, 10 de julho de 2017.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XV

Retomando as nossas reflexões em torno do capítulo 26 de “Nosso Lar”, André Luiz escuta de Genésio a célebre sentença, por mais pura expressão da realidade: “Quando o servidor está pronto, o serviço aparece.” André desejava, ardentemente, retomar a possibilidade de ser útil além da morte – ele havia desencarnado há cerca de dez anos – e, até então, não redescobrira a alegria de servir.
Visitando as “Câmaras de Retificação”, destinada a acolher os recém-desencarnados em estado de maior penúria – perispiritual quanto psicologicamente –, ele, o grande sanitarista, teria, finalmente, oportunidade de recomeçar, dando-nos preciosa lição – altamente diplomado, recomeçaria na condição de anônimo serviçal! Infelizmente, muitos são os que chegam à Casa Espírita e já querem ir logo frequentar reuniões mediúnicas, ou ocupar a tribuna.
Tobias, o novo amigo que ele conhecera, encarregado de levá-lo até às “Câmaras”, constituídas por vários edifícios, que foram construídos como, naturalmente, são levantadas as construções na Terra – com o material de construção pertinente ao Mundo Espiritual. Não são meras “construções mentais” – são edifícios concretos, e não abstratos!
Depois de atravessarem “largos quarteirões”, observando os numerosos edifícios que se erguiam, André ouve de Tobias a explicação: “Temos aqui as grandes fábricas de “Nosso Lar”. A preparação de sucos, de tecidos e artefatos em geral, dá trabalho a mais de cem mil criaturas, que se regeneram e se iluminam ao mesmo tempo.”
Como você interpreta a informação?!
Fábricas de sucos, em “Nosso Lar”?! Que espécie de sucos?! Para quê são fabricados?! De onde é extraída a sua matéria prima?! Então, na referida cidade espiritual existem pomares?! Os desencarnados continuam tendo necessidade de se alimentarem – de alimentarem o seu corpo espiritual, ou perispírito?! Ou, para você, trata-se apenas de uma imagem literária de ficção, criada pelo autor do livro?!
E o que pode dizer a respeito da preparação de “tecidos e artefatos”?!
Tecidos, para quê?! Então os “mortos” ainda sentem necessidade de cobrirem o seu corpo, escondendo as partes mais íntimas?! Sim, porquanto, sobre a Terra, os homens, em geral, apenas andam vestidos para ocultarem as suas partes íntimas, ou seja, genitália e nádegas, e, no caso das mulheres, os seios. Quer dizer que o perispírito continua dotado desses implementos que, de maneira equivocada, muitos consideram “órgãos do pecado”?!
E mais: Tecidos feitos de que material?! Serão sintéticos ou ainda oriundos da plantação, por exemplo, de algodão?! Ou, ainda da lagarta das mariposas asiáticas, e seus cruzamentos genéticos?!
Mais ainda: o que você tem a nos dizer sobre a referência aos artefatos?! Qual seria a sua necessidade no Mundo Espiritual?! Artefatos manuais ou industrializados, ou os dois ao mesmo tempo?! Artefato é sinônimo de artigo, objeto, peça, etc. Um vaso é um artefato, uma cadeira, um mesa, uma cama, um tapete, um aparelho, uma máquina, etc.
Interessante a explicação de Tobias dizendo que, à época, tais atividades davam “trabalho a mais de cem mil criaturas...” Não nos esqueçamos que, na década de 30, “Nosso Lar” contava com cerca de um milhão de habitantes! Outra constatação curiosa: Tobias não se refere a espíritos, mas, sim, a criaturas. No Dicionário, a palavra “criatura” possui por sinônimo, dentre outras, as palavras pessoa e indivíduo.
Realmente, então, pode-se concluir de que espírito é pessoa, gente?! Ou não?! Como é que você interpreta?! O espírito é um “Gasparzinho”, ou um “Brasinha”, das estórias em quadrinhos?! Quando deixar a carcaça, você será um “Gasparzinho”, um “Brasinha”, ou você mesmo?!...
Não podemos deixar de destacar, na palavra de Tobias, que, mesmo no Mundo Espiritual, o trabalho regenera e ilumina! Alguns espíritos estariam trabalhando nas fábricas e indústrias de “Nosso Lar”, cumprindo, digamos assim, alguma espécie de sentença, objetivando a sua regeneração?! Ou a o termo “regeneração” foi tão somente empregado em seu sentido geral?!...
Já são perguntas demais para a semana, não é?!
OBS: Estamos, ansiosamente, aguardando de nossos irmãos encarnados, que rotulam as obras de “André Luiz”, pela lavra de Chico Xavier, de ficção, ou mesmo de alucinação da mente mediúnica, que apresentem as suas teorias a respeito da Vida além da vida. Por uma questão de lógica e inteligência, não aceitaremos apenas o “não é assim, porque eu não creio”. Ora, vocês que dizem assim, tão catar coquinho no meio do asfalto, tá?! Vocês cansam a minha beleza! E como são desprovidos de qualquer espírito de autocrítica! Vocês não acham?!...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 3 de julho de 2017.                                                                                                                                                    
 



segunda-feira, 26 de junho de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA – XIV

No capítulo 26 – Novas Perspectivas –, de “Nosso Lar”, André relata o seu encontro com o Ministro Genésio, ao qual, em estudos anteriores, tivemos oportunidade de nos referir. Vocês estão lembrados, daquele “velhinho simpático, cujo semblante revelava, entretanto, singular energia”?! Cremos que sim, não é?! Foi quando, na oportunidade, fizemos menção à idade com que o espírito se apresenta depois da morte do corpo físico – à sua fisionomia, altura, cor de pele, etc.
O capítulo 26 da referida obra marca a determinação do grande cientista Dr. Carlos Chagas, que adotou o pseudônimo de André Luiz, em homenagem ao irmão de Chico Xavier.
Contemos, rapidamente, o caso.
O Dr. Carlos Chagas, conduzido por Emmanuel, foi levada até à cidade de Pedro Leopoldo, em Minas Gerais, para ser apresentado ao Médium Chico Xavier, através do qual, se possível, ele passaria a escrever.
Amigos de Chico contam que, ao ser apresentado ao Médium, que, à época, estava com um pouco mais de 30 de idade, o Dr. Carlos Chagas, não contendo a sua emoção, postou-se de joelhos diante dele – o fato foi relatado pelo próprio Chico, que, em relação à própria mediunidade, sempre foi muito reservado. Se quiserem conferir, consultem o livro “Nossos Momentos com Chico Xavier”, de autoria de Osvaldo Godoy Bueno, um dos diretores-fundadores do IDEAL, em São Paulo – SP.
A reação do Dr. Carlos Chagas, diante da grandeza espiritual de Chico, que ele, certamente, enxergou, fora espontânea, e, assim, o Médium não tivera tempo para evitar a sua ação – porquanto, Chico jamais aceitaria que alguém se lhe prostrasse aos pés.
A apresentação do Dr. Carlos Chagas a Chico deu-se no início da década de 40, mais propriamente em 1943, porém os rumores de um processo que seria movido, em 1944, pela viúva do escritor Humberto de Campos já frequentava as páginas dos jornais e circulavam de boca em boca. Desde 1937, Humberto de Campos, espírito, vinha escrevendo pela lavra mediúnica do Médium de Pedro Leopoldo.
Então, com o intuito de salvaguardar a Causa Espírita, e, evidentemente, o Médium, de mais um possível processo judicial, Emmanuel explicou a Chico que o Dr. Carlos Chagas adotaria um pseudônimo – inclusive com o qual não pudesse ser facilmente identificado, nem mesmo através de seus relatos mediúnicos. Realmente, lendo-se cruamente as páginas iniciais de “Nosso Lar”, não se pode concluir que André Luiz seja o Dr. Carlos Chagas, já que ele, orientado pela Equipe Espiritual que tutelou o trabalho mediúnico de Chico Xavier, recomendou que, neste sentido, poucas pistas fossem deixadas. Por este motivo, o próprio Emmanuel, no prefácio da obra, datado de 3 de Outubro de 1943 (significativa a data, não?!), escreveu:
“Embalde os companheiros encarnados procurariam o médico André Luiz nos catálogos da convenção.
“Por vezes, o anonimato é filho do legítimo entendimento e do verdadeiro amor. (...)
“André Luiz precisou, igualmente, cerrar a cortina sobre si mesmo.
“É por isso que não podemos apresentar o médico terrestre e autor humano, mas sim o novo amigo e irmão na eternidade.”
Bem, para não nos estendermos neste arrazoado, Chico perguntou ao Dr. Carlos Chagas com que nome ele pretenderia assinar o que, porventura, viesse a escrever por seu intermédio. Vendo que um dos irmãos de Chico, do segundo casamento de seu pai, ressonava numa cama próxima, o ilustre cientista perguntou-lhe: - Qual é o nome de seu irmão?... O Médium respondeu-lhe de pronto: - André Luiz!... – Então – disse-lhe o Dr. Chagas –, será esse o nome que adotarei, porque eu também sou seu irmão!...
Simples assim.
Agora, evidentemente, as controvérsias, tão a gosto dos espíritas, existem. Mas este é outro assunto com o qual, sinceramente, não pretendemos perder tempo.
E os comentários que havíamos planejado para o capítulo 26 de “Nosso Lar”, ficarão para a próxima semana. Claro, se até lá o médium não desencarnar por aí, e eu, por minha vez, não desencarnar por aqui.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 26 de junho de 2017.





segunda-feira, 19 de junho de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XIII

Ainda no capítulo 24, do livro “Nosso Lar”, André Luiz registra o apelo do locutor de “Moradia”, ante a iminência da guerra que estava prestes a estourar (a Segunda Grande Guerra Mundial):
“Emissora do Posto Dois, de Moradia. Continuamos a irradiar o apelo da colônia em benefício da paz na Terra. Companheiros e irmãos, invoquemos o amparo das poderosas Fraternidades da Luz, que presidem aos destinos da América! Cooperai conosco na salvação de milenários patrimônios da evolução terrestre. (...)
Vejamos que os espíritos, vinculados à evolução da Humanidade, contavam com a participação decisiva da América do Norte, no sentido de que a guerra fosse evitada – infelizmente, tal não aconteceu, porque a Alemanha, no dia 1 de setembro de 1939, invadiu a Polônia. Mesmo assim, com as bombas atômicas que foram lançadas, respectivamente, sobre Hiroshima e Nagasaki, no Japão, a 6 e 9 de agosto de 1945, – a guerra que não cessara no Pacífico –, os EEUU, provocando a rendição do Japão, interferiram para que a Grande Guerra cessasse. No entanto, segundo dados estatísticos, cerca de 47 milhões de pessoas foram mortas no confronto, que arrasou diversas cidades: Londres, Varsóvia, Roterdã, Tókio, Osaka, Hambugo, Dresden, Berlin.
Com a guerra, segundo a palavra preocupada do locutor de “Moradia”, e qual não se é difícil inferir, vastos patrimônios culturais da Humanidade foram destruídos. Fato semelhante ao que foi praticado, no século XVIII, quando aconteceu a destruição da Biblioteca de Alexandria, considerado o maior patrimônio perdido da História, por ordem do governador provincial do Egito, Amir Ibne Alas.
*
No final do capítulo 24, podem-se ler as palavras de Lísias, no diálogo mantido com André Luiz:
“... o Ministério da União Divina esclareceu que a humanidade carnal, como personalidade coletiva, está nas condições do homem insaciável que devorou excesso de substâncias no banquete comum. A crise orgânica é inevitável. Nutriram-se várias nações de orgulho criminoso, vaidade e egoísmo feroz. Experimentam, agora, a necessidade de expelir os venenos letais.”
Não estaria a Humanidade atual, quase oitenta anos depois, vivenciando a mesma situação, de vez que, infelizmente, a lição “estomacal” não tendo sendo aprendida, continuou ela a se alimentar do que, agora, parece ter necessidade de voltar a expelir?!
*
No capítulo seguinte, o de número 25 de “Nosso Lar” – intitulado “Generoso Alvitre” –, André Luiz transcreve orientações transmitidas por D. Laura, que, então, o aconselha a agarrar a primeira oportunidade de trabalho que se lhe oferecesse:
“Ao invés de albergar a curiosidade, medite no trabalho e atire-se a ele na primeira ocasião que se ofereça. (...) não olvide que o espírito de investigação deve manifestar-se após o espírito de serviço. Pesquisar atividades alheias, sem testemunhos no bem, pode ser criminoso atrevimento.”
Têm-se a impressão de que a sábia advertência da genitora de Lísias aplica-se, claramente, a atitude de muitos, inclusive de muitos companheiros de Ideal, que vivem de pesquisar as atividades alheias... Incapazes de produzirem por si mesmos criticam os que estão produzindo. Nada escrevem eles de substancioso, sequer uma brochura, e, no entanto, querem atear fogo à “Biblioteca de Alexandria”, acreditando estarem prestando um grande serviço à Doutrina.
*
Prosseguindo a incentivar André Luiz ao trabalho, a ele que fora sobre a Terra o célebre cientista brasileiro Dr. Carlos Chagas – Carlos Justiniano Ribeiro Chagas –, Dona Laura pontifica:
“A ciência de recomeçar é das mais nobres que nosso espírito pode aprender.”
O diálogo entre ambos, porém, necessitou ser interrompido, porque alguém batera à porta da residência. Tratava-se de Rafael, o amigo que fora buscar André Luiz – ele, simplesmente, bateu à porta, e não a atravessou como se fosse uma fumacinha que se esgueira pelo buraco da fechadura...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 19 de junho de 2017.



segunda-feira, 12 de junho de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XII

O livro “Nosso Lar”, de André Luiz, foi escrito em 1943, em pleno clima da Segunda Grande Guerra Mundial (1939-1945), porém os relatos do autor espiritual são datados de agosto de 1939. Na pacata cidade de Pedro Leopoldo, em Minas Gerais, enquanto, principalmente, a Europa se conflitava, com a França, o berço do Espiritismo, sendo bombardeado, Chico Xavier, então com 33 de idade, trabalhava anonimamente, dando sequência ao plano da Espiritualidade Superior de desdobrar a Codificação Kardeciana.
*
No capítulo 24 de “Nosso Lar” – “O Impressionante Apelo” –, André Luiz noticia a preocupação dos habitantes da cidade, mormente de suas autoridades, com as consequências drásticas da guerra. Atentemos para o trecho: “Ligado o receptor, suave melodia derramou-se no ambiente, embalando-nos em harmoniosa sonoridade, vendo-se no espelho de televisão a figura do locutor, no gabinete de trabalho.”
Aparelho de TV, serviço de jornalismo, emissora, transmissão ao vivo, palavra de um locutor, ou apresentador... Inventada, praticamente, em 1927, somente em 1939, em Nova York, houve a primeira transmissão ao vivo – a Televisão na Terra, por assim dizer, ainda não passava de um experimento. A Televisão, no Brasil, só chegou em 1950, graças a Assis Chateaubriand! E André Luiz, em 1943, já falando de transmissões televisas no Mundo Espiritual...
*
“Emissora do Posto Dois, de Moradia” – eis o nome da Emissora de TV, e o nome de outra cidade existente no Mundo Espiritual, certamente, nas vizinhanças de “Nosso Lar, embora, segundo Lísias, “velha colônia de serviços muito ligada às zonas inferiores.”
O apelo do locutor, feito numa “entonação de verdadeiro S.O.S”, era vazado no “idioma português, claro e correto.” Não se tratava, portanto, de uma comunicação telepática, mas sim verbalizada, captada pelo sentido auditivo de quantos se encontravam em sintonia com a Emissora, que, à época, já possuía relativo alcance. Admirado do fenômeno, André comenta em sua obra: “Julgava que todas as colônias espirituais se intercomunicassem pelas vibrações do pensamento.” Lísias esclareceu: “Estamos ainda muito longe das regiões ideais da mente pura. Tal como na Terra, os que se afinam perfeitamente entre si podem permutar pensamentos, sem as barreiras idiomáticas; mas, de modo geral, não podemos prescindir da forma, no lato sentido da expressão.”
Mais tarde, no livro “Evolução em Dois Mundos”, no capítulo II, da Segunda Parte, o mesmo André Luiz escreveria: “... não obstante reconhecermos que a imagem está na base de todo intercâmbio entre as criaturas encarnadas ou não, é forçoso observar que a linguagem articulada, no chamado espaço das nações, ainda possui fundamental importância nas regiões a que o homem comum será transferido imediatamente após desligar-se do corpo físico.” Então, não será por ter desencarnado, que você, meu caro internauta, logrará comunicar-se por via telepática com os demais habitantes do Mundo Espiritual – o que nos leva a concluir que aprender a falar noutro idioma continua sendo muito útil além da morte, principalmente se você desejar no “espaço das nações”, entrar em comunicação com habitantes de outros países. Não confie apenas na possibilidade do “conhecimento adormecido”, ou seja, que, por ter desencarnado, você começará a falar noutras línguas que jazam aprendidas em seu subconsciente.
*
Para quem imagina que os espíritos assistam, sem maior preocupação, o que, em termos de conflitos, acontece entre os homens, o locutor de “Moradia” elucida: “Há muito benfeitores devotados, lutando com sacrifícios em favor da concórdia internacional, nos gabinetes políticos. Alguns governos, no entanto, se encontram excessivamente centralizados, oferecendo escassas possibilidades (o destaque aqui é nosso) à colaboração de natureza espiritual.”
O único instrumento que possuímos para tentar, em todos os sentidos, influenciar os encarnados, é o do pensamento, através da inspiração! Não havendo sintonia e boa vontade em acolher as nossas sugestões positivas, infelizmente, de nossa parte, nada mais a ser feito a não ser lamentar.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 12 de junho de 2017.






segunda-feira, 5 de junho de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XI

Visto do Mundo Espiritual, como será o firmamento?! Você já se fez tal pergunta?! Os planetas e as estrelas materiais também possuem o seu duplo, ou seja, a sua contraparte etérica?! Haverá dia e noite no Mundo Espiritual?! Amanhecer, entardecer, crepúsculo e anoitecer?!
O que você, irmão, ou irmã, internauta nos responde?!...
No capítulo 23, de “Nosso Lar”, Lísias, ao chegar a casa e ainda encontrando André Luiz acordado, o convida:
- “Olá! Ainda não se recolheu? (...) Venha ao jardim, pois ainda não viu o luar destes sítios.”
Não será, portanto, lógico deduzir que se, do Outro Lado da Vida, existem noites enluaradas, devem, igualmente, existir, dias ensolarados?!
E o que você, ainda, teria a dizer a respeito do clima numa cidade espiritual, por exemplo, como “Nosso Lar”?! Sabemos que, sobre a Crosta, são quatro as estações do ano: Primavera, Verão, Outono e Inverno?! Algumas regiões do Mundo Espiritual, qual acontece na Terra, serão mais quentes, ou frias, que outras?!
*
Parágrafos adiante, do mesmo capítulo 23, há um registro interessantíssimo. Lísias diz a André Luiz que, em determinada época, depois de mais de dois séculos de sua fundação, o Governador de “Nosso Lar” proibira o intercâmbio generalizado dos desencarnados com os encarnados! Opa! Aqui há um mundo de conjeturas a serem feitas... Como é?! O Governador proibira, a partir da iniciativa dos desencarnados, o seu contato com os encarnados?! Não nos parece algo semelhante feito por Moisés no Deuteronômio, capítulo 18, versículos 9 a 14?! A cidade de “Nosso Lar” foi fundada no século XVI, e a referida proibição, ao que se calcula, ocorreu no século XVIII... Curioso! Em meados do século XIX, a Terra, em vez de ser invadida pelos marcianos, é “invadida” pelos supostos mortos, em um novo Pentecostes, culminando com a Codificação Espírita.
*
Atentemos para o seguinte trecho do proveitoso diálogo de Lísias com André Luiz:
“Amparado pela União Divina, o Governador proibiu o intercâmbio generalizado. Houve luta. (destacamos) Mas o ministro generoso que incrementou a medida, valeu-se do ensinamento de Jesus que manda os mortos enterrarem seus mortos e a inovação se tornou vitoriosa em pouco tempo.”
“Nosso Lar” era uma cidade administrada por seis Ministérios, com doze Ministros em cada um deles. Ao que nos parece, apenas o Ministério da União Divina ficara, inicialmente, ao lado do Governador, que, para fazer cumprir o decreto, teve que sustentar muitas lutas – protestos, passeatas, greves, etc. Tudo muito semelhante ao que vem acontecendo na Terra, principalmente no Brasil, não acham?! Vejamos a responsabilidade do Governador que foi contra a maioria, fazendo prevalecer o bom senso. Discutam aqui os que defendem que o livre arbítrio do homem deve ser absoluto, e não relativo. De minha parte, sou contra o livre arbítrio humano absoluto – a gente não saberia o que fazer com tanta liberdade e complicaria horrores o próprio destino.
*
Não poderíamos deixar de registrar ainda que, no período da Idade Média, pelo contato estreito dos desencarnados com os homens, milhares de medianeiros foram parar na fogueira! A chamada “caça as bruxas”, atingiu o seu apogeu, justamente entre os séculos XVI e XVIII! Não é interessante tal informação?! O Governador de “Nosso Lar” deve ter evitado que um número muito maior de médiuns fosse parar na fogueira, na forca ou afogados! Segundo estimativas, mais de trinta mil médiuns (alguns falam em cinquenta mil!) acusados de feitiçaria – mulheres, em maior número – foram queimados, às vésperas da Idade das Luzes!...

Uberaba – MG, 5 de junho de 2017.








segunda-feira, 29 de maio de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – X

Prosseguindo com as nossas reflexões, em forma de perguntas, sobre o livro “Nosso Lar”, no capítulo 22 – “O Bônus-Hora” –, nos deparamos com minuciosa elucidação de Laura a André Luiz em torno da remuneração ao trabalho no Mundo Espiritual. Vejamos que, além da morte, o trabalho, por alguma espécie de ganho, o ainda carece de “incentivo” nos espíritos – a ambição, sem dúvida, é uma das paixões (pergunta 907, de “O Livro dos Espíritos”) que mais impulsiona o homem ao progresso, embora, por outro lado, também seja uma das que mais o compromete perante a Lei de Causa e Efeito.
A certa altura de sua preleção, Laura esclarece: “Todo o ganho externo no mundo é lucro transitório.” Notemos o conceito extraordinário que, caso norteasse os encarnados, impediria que, dominados pela ambição desmedida, eles viessem a cometer tantos equívocos, nos quais, a fim de se redimirem, terminam por gastar séculos.
“O verdadeiro ganho da criatura é de natureza espiritual e o bônus-hora, em nossa organização, modifica-se em valor substancial, segundo a natureza dos nossos serviços.” – pontifica a lúcida personagem da obra em estudo.
Apenas com as duas considerações acima, concluímos que, de fato, quando o dinheiro deixar de ser o que, na atualidade, ele representa para a Humanidade, automaticamente, serão eliminadas certas mazelas que engendra: egoísmo, corrupção, poder, injustiça, apego, etc. Então, uma palavra muito em voga nos tempos modernos – propina – perderá toda a sua força de ação.
Em “Nosso Lar”, que não podemos considerar além de uma cidade espiritual de mediana evolução – ela localiza-se na Dimensão Umbralina – o idealismo, em suas primeiras letras, começa a ser aprendido pelos espíritos, sobrepondo-se ao sentimento de posse.
Laura, um pouco mais adiante, no mesmo capítulo, considera: “Compreendemos, aqui, que nada existe sem preço e que para receber é indispensável dar alguma coisa.”
“... nada existe sem preço...”, porém o dinheiro, como valor aquisitivo, em sua qualquer forma de expressão, é próprio dos mundos inferiores. Ele exerce tal fascínio sobre os espíritos que Râmakrishna evitava sequer tocá-lo, e, igualmente, não se tem notícia de que Jesus Cristo o tenha tocado – a moeda do imposto devida a César é examinada na mão de quem a apresentou a Ele.
Interpelada por André Luiz a respeito do problema da herança em “Nosso Lar” – sim, que fosse motivada pelos bens móveis (“bônus-hora”) e imóveis (propriedades em geral) –, Laura respondeu: “Tenho comigo três mil Bônus-Hora-Auxílio (ela era servidora do Ministério do Auxílio) no meu quadro de economia pessoal. Não posso legá-los a minha filha que está a chegar, porque esses valores serão revertidos ao patrimônio comum, permanecendo minha família apenas com o direito de herança ao lar; no entanto, minha ficha de serviço autoriza-me a interceder por ela e preparar-lhe aqui trabalho e concurso amigo (destaquei), assegurando-me, igualmente, o valioso auxílio das organizações de nossa colônia espiritual, durante minha permanência nos círculos carnais.”
Como o “dinheiro” de Laura seria revertido ao patrimônio comum?! Vocês já imaginaram se, na Terra, os pais não pudessem transferir os seus ganhos materiais para os filhos?! Seria maravilhoso, não?! Fazer reverter ao patrimônio comum, em forma de benefícios para a coletividade, os valores acumulados?! Inclusive, tal medida viria a ter enorme e benéfica influência na educação dos espíritos. Em certos países, alguns milionários já estão legando, em testamento, a sua grande fortuna a pesquisas de natureza científica ou a Fundações que trabalham pelo bem social da Humanidade – enquanto muitos estão tirando do patrimônio comum, como, infelizmente, no caso do Brasil, alguns raros estão começando a lhes destinar as suas economias.
Ao que nos parece, no entanto, as medidas econômicas que vigem em “Nosso Lar”, foram estabelecidas através de regras, ou de leis, que, com certeza, foram propostas e aceitas pelos moradores da cidade, desde a sua fundação no século XVI. Observemos que Laura, ao se referir à sua possível herança, disse: Não posso legá-los à minha filha...”
Quem aceitaria viver numa cidade, ou num país, em que as regras fossem tais?!...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 29 de maio de 2017.














segunda-feira, 22 de maio de 2017

COM QUE “CARA” QUE EU VOU?!...

Amigo: Jesus nos abençoe.
Cremos que, a essa altura de nossos estudos, podemos, respeitosamente, lhe formular uma pergunta:
- Com que cara acha que você se apresentará no Mundo Espiritual?!...
Calma. Não estou me referindo à sua “cara moral”, porquanto, afinal de contas, isso é lá com você – embora, neste sentido, a cara da maioria dos defuntos que por aqui desfila é quase que um verdadeiro “circo de horrores”...
A minha pergunta é séria, e mesmo de caráter doutrinário:
- Qual, em geral, é a cara dos desencarnados?! Qual, enfim, a sua fisionomia, ou os seus traços fisionômicos para além da sepultura, que lhes encerra a máscara de cera?...
Sim, com que cara você acha que haverá de sobreviver ao fenômeno da morte, e permanecer vivo deste Outro Lado?! Com a mesma que você tenha desencarnado, repleta de cravos e rugas?! Qual será o seu aspecto exterior e a idade que imagina que possa vir aparentar?!...
Não sei se estou conseguindo ser claro.
Faço-lhe tais questionamentos, porque, no capítulo 26, do livro “Nosso Lar”, André Luiz conta que, no Ministério da Regeneração, achou-se “diante do respeitável Genésio, um velhinho simpático...”
Velhos, embora simpáticos, no Mundo Espiritual?!...
Qual a referência que André Luiz estaria tomando para categorizar Genésio de “velhinho”?! Com quantas primaveras ele estaria então: 70, 80, 90, 100 ou mais?!...
Será que deste Outro Lado, todos os espíritos, em seus traços exteriores, são iguais?! Que chato seria um mundo assim, não é, com todo mundo tendo a mesma idade e a mesma cara! Ô louco!...
Insisto: qual será, no Mundo Espiritual, a idade com um recém-nascido desencarnado se apresentará?! Um menino de 12 anos, por exemplo?! Uma jovem com os seus 15 de idade?! Um rapaz com pouco mais de 20, ou 25?! Um homem ou uma mulher madura, contando mais de 50 de vida no corpo físico?!...
Dentro do mesmo raciocínio, ainda ouso lhe perguntar:
- E questão racial?! Como é fica?! Um chinês desencarnado se apresentará com aqueles seus olhinhos puxados, e com eles ficará só Deus sabe até quando?! O que me diz de um esquimó?! De um índio?! De um africano?! Sim, qual será a cor de pele dos espíritos?!...
Nada venham me perguntar, por que, afinal, quem está fazendo as perguntas sou eu?!...
Deste Outro Lado da Vida, os espíritos continuam com as suas diferenças raciais, e até mesmo idiomáticas?!...
Confesso a vocês que nunca li nada a respeito, porque, infelizmente, a maioria dos espíritas vive discutindo se o passe, no Centro Espírita, deve ser dado de chaleira ou de calcanhar, e não atenta para questões de maior transcendência, que a Doutrina é chamada a responder.
Você que é orador e sabereta espírita, o que tem a me dizer?! Qual o motivo de seu mutismo neste sentido?! Chega de estar abordando com superficialidade a vida no Mundo Espiritual!...
90% das palestras que, hoje, são realizadas nos Centros Espíritas são de autoajuda – elas pouco acrescentam em termos de conhecimento doutrinário! Os oradores querem fazer sorrir, serem aplaudidos e irem para a galera...
Estudar Doutrina a fundo, pouca gente quer e pouca gente sabe.
Doeu?! Deixa doer, pois essa é a verdade, e a verdade dói mesmo, e muito!
Tem muito espírita fazendo “fama”, ou melhor, lama, em cima do trabalho alheio – querem se construir, destruindo o próximo!...
Ah, por favor, vocês não façam pouco caso da minha inteligência, que, como dizia o grande Chico Xavier, eu posso ser uma besta espírita, mas não sou um espírita besta!...
Até mais.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 22 de maio de 2017.










quinta-feira, 18 de maio de 2017

CONFIANÇA NO BRASIL

Embora, igualmente, não possamos falar por todos os desencarnados, vimos, em nome de muitos brasileiros já domiciliados no Mais Além, reafirmar, neste momento histórico delicado, a nossa confiança no futuro do Brasil, país fadado a ser Coração do Mundo e Pátria do Evangelho.
Mais do que nunca, as palavras do Cristo se fazem soar aos nossos ouvidos: “Ai do mundo por causa dos escândalos; pois é necessário que venham escândalos; mas, ai do homem por quem o escândalo venha.”
A Lei de Causa e Efeito é incorruptível, e, mais cedo ou tarde, todos haverão de serem, por ela, chamados à devida prestação de contas. E, nos tempos atuais da Humanidade, os acontecimentos vêm se precipitando, para que, deste mundo caótico, de provas e expiações, possa emergir o Mundo de Regeneração.
Carecemos, no entanto, de continuar pugnando pela ordem, para que, segundo alguns articulistas, o Brasil, a breve tempo, não venha a se transformar numa Venezuela, pois que nem mesmo a Venezuela de nossos irmãos venezuelanos há de ser sempre a Venezuela de seus ditadores.
O que nos preocupa, diante do cenário político brasileiro, é que venha a ocorrer derramamento de sangue inocente, e, assim, a balbúrdia se generalize no país sem comando.
Muitos, talvez, estejam se interrogando sobre o quê, afinal, teremos a ver com isto, nós, os considerados mortos. Simples. Aqueles que já conhecem algo da Vida além da morte sabem que, em consequência de nossos compromissos cármicos, prosseguimos, em maioria, vinculados à evolução do orbe, ao qual, um dia, haveremos de tornar – e de regressar, preferencialmente, renascendo no mesmo espaço geográfico dos deveres e obrigações que, outrora no corpo carnal, não conseguimos atender.
Interessa-nos, pois, renascer, de futuro, num país que nos possibilite avançar espiritualmente, dando-nos o ensejo de um ambiente favorável aos nossos ideais de progresso – interessa-nos, sim, renascer num trato de chão que não nos oponha tantos obstáculos ao indispensável aproveitamento da experiência reencarnatória. Foi por tal motivo, que imigrando de outros países, viemos para o Brasil, que, em todos os aspectos, mormente no campo da fraternidade, se nos mostra favorável – logo após a desencarnação de Allan Kardec, o Codificador do Espiritismo – um ano depois, em 1870 –, as trevas já começaram a trabalhar para que a Doutrina se erradicasse da Europa. O que, infelizmente, aconteceu, com o desserviço que os próprios espíritas também passaram a ela prestar.
Esperamos que, diante do grave cenário político brasileiro, que, a cada dia, parece mais se agravar, o povo, em geral, não desista de clamar pelas reformas necessárias, exigindo que os culpados – todos eles –, independente das questões partidárias, venham a pagar pelos seus erros de lesa-Pátria.
Nunca, em nossa opinião, o Brasil vivenciou experiência tão difícil quanto agora, em que, praticamente, não se sabe em quem depositar confiança para reger os seus destinos.
Aguardemos. No entanto, aguardemos agindo, efetuando protestos pacíficos, porém, persistentes, exigindo que todos os corruptos sejam afastados dos cargos que ocupam, solapando a esperança de milhões de espíritos no comprometimento de suas gerações.
Indispensável que uma nova eleição seja, imediatamente, convocada, para salvaguardar as nossas Instituições, que, em sua maioria, também se encontram minadas por atos de vandalismo moral.
Todos precisam colocar os interesses da coletividade brasileira acima de suas ambições pessoais.
Cremos, sinceramente, que qualquer homem que se deixa corromper, de crente que, talvez, fosse, passou a desacreditar da existência de Deus e da ação de sua Justiça – a religião para ele passou a ser mera convenção social, no descaratismo com que, interessado em angariar apoio, frequenta os mais diversos templos religiosos.
Somos pela “Ordem” e pelo “Progresso”, e o nosso coração, neste instante, com o sangue que não cessa de correr em nossas veias, é verde-amarelo.
Estamos não todos, mas estamos com vocês, brasileiros que amam o Brasil, e que não desacreditam de que ele realmente se torne um país digno, que possa servir de exemplo para o mundo, mas que, infelizmente, os espíritos trevosos, opositores da luz do Cristo, não desanimam de eclipsar em suas escaramuças.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 18 de maio de 2017.